Os alunos das escolas estaduais em greve ocupadas mantêm uma rotina de atividades diárias com aulas sobre temas relevantes, debates, assembleias e eventos culturais. Os grupos também se organizam para as refeições, segurança e limpeza dos espaços.
A esmagadora maioria entende que a única forma de tentar melhorar as condições de ensino e recuperar, pelo menos em parte, o papel do ensino como promotor de ascensão social é apoiar a greve dos trabalhadores efetivos e terceirizados das escolas públicas estaduais.
Esta maioria entende também que o governo isentou grandes empresas de pagarem impostos, se comprometeu com o crescimento do superávit primário ao mesmo tempo em que desmontou e fechou escolas. A administração estadual pagou as contas de luz atrasadas da SuperVia com dinheiro que deveria ir para as escolas, hospitais e postos de saúde, as UPAs. Foram bilhões de reais que deixaram de ser arrecadado com as isenções e anistia de dívidas de impostos. A greve e as ocupações das escolas expõem de forma dramática os resultados de uma gestão que coloca a máquina e as finanças do Estado do Rio de Janeiro a serviço dos amigos de Sérgio Cabral, de Luiz Fernando Pezão e de Francisco Dornelles.
Os alunos se transformaram em mestres. As deliberações de suas assembleias são de fato soberanas. Sua humildade permite que professores e funcionários que não respeitam a decisão coletiva da categoria profissional furem greve dentro das unidades que eles controlam. Este exemplo de tolerância e maturidade deve ser valorizado. Ele pode abrir uma discussão para o resgate dos métodos democráticos abandonados por um grande setor dos profissionais de educação. Se acaso as assembleias de alunos votassem que nenhum fura greve entraria na escola eles teriam condições de bancar esta posição política pelo papel que desempenham nas unidades escolares ocupadas.
Respeitamos muito cada um dos alunos que estão nestas ocupações. Sabemos que ocupar uma escola não é tarefa fácil! São necessárias dezenas de reuniões, debates e assembleias. Por isso, quem está dando a aula agora são os estudantes que estão administrando e democratizando o espaço escolar. Mostram na prática que a escola não precisa da ingerência nefasta do governo Pezão/Dornelles. Precisa sim que o estado garanta a autonomia escolar e o aumento do investimento.

Veja aqui o depoimento de uma mãe de aluna do Colégio Estadual Visconde de Cairu