28abr2016centralNeste dia 28 de abril, por volta das 12 horas, o Secretário de Educação Antônio Neto esteve no Colégio Estadual Central do Brasil.

Quando os alunos que ocupam aquela unidade começavam a se reunir para o almoço, dois estudantes do Colégio Estadual José Leite Lopes/NAVE (Núcleo Avançado em Educação) bateram no portão do Central do Brasil e logo que a Comissão de Segurança liberou a entrada dos dois, o Secretário resolveu se aproveitar da situação e forçou a sua entrada. Prontamente, foi questionado. Os alunos perguntaram quem ele era e, de maneira debochada e com uma pseudo superioridade, respondeu: “Ué, não me conhecem?” “Sou o Secretário de Educação!” Então os membros da Segurança insistiram que ele se identificasse e ele continuou com tom superior se negando. Logo, o desajeitado Secretário percebeu que não iria ter jeito e resolveu acatar a exigência de imediata identificação. Os alunos da ocupação resolveram recebe-lo no portão, do lado de dentro do Colégio. Após os primeiros e constrangedores momentos iniciais, Neto teve uma fala extremamente atrevida e provocativa com um dos estudantes: “Não tenha medo! Não vou desocupar vocês.”   Ao que os alunos com altivez responderam: “Quem é você, para me desocupar? ”

Infelizmente, Antônio Neto não queria negociar. Foi ao Colégio para desqualificar, desmobilizar e amedrontar grevistas e alunos. Alunos e grevistas responderam: “Perdeu seu tempo, Secretário!”

Durante o diálogo, o tempo todo, Antônio Neto caía em contradição em seu discurso. Primeiro, disse que o Colégio só tinha um probleminha com o refeitório, depois disse que os outros problemas de estrutura e material eram culpa exclusiva da diretora daquela escola.

Mais à frente dizia que estava DERROTADO e que precisávamos conversar. Grevistas e alunos perceberam que ele estava mais perdido que cego em tiroteio. Quando não tinha o que argumentar, citava o cargo que ocupava e questionava como os presentes não reconheciam seu rosto. Numa dessas, alunos declararam que: “se ele fosse mais presente, saberiam quem era o Secretário de Educação.”

28abr2016central2Para enrolar seus interlocutores, Neto disse que poderia fazer algumas obras menores na escola, somente com a mesma desocupada. Foi então que ele deixou clara a sua intenção: queria apenas que os alunos saíssem dali. Para isso, apelou e questionou se não havia confiança nele. Um dos alunos logo respondeu: “Secretário, precisamos OCUPAR o Central para o senhor nos ouvir.”

Uma atitude chamou atenção de todos: toda hora ele perguntava quem era o líder e que queria conversar em uma sala separada com ele. Foi notado por todos que o Secretário não sabia conversar com o Movimento Estudantil, que não possui líderes, que todos são responsáveis por tudo. Infelizmente o Secretario nunca conheceu o real movimento estudantil que não fosse o arremedo incentivado nas unidades escolares pela SEEDUC.

Após tudo isso, a desculpa para o problema da educação foi a falta de dinheiro. Prontamente os alunos argumentaram que o governo não tem dinheiro para educação, mas tem para a financiamento da realização dos Jogos Olímpicos.

Para essa vergonhosa “visita”, estiveram presentes na entrada do colégio o Secretário de Educação Antônio Neto e seu chefe de Gabinete, Sr. Caio Castro. Do lado de fora estavam os diretores, Sr.ª Emília e o Sr. Sérgio, o Coordenador da Diretoria Regional da SEEDUC Metropolitana III, Sr. Alan, também estavam presentes as responsáveis pelo Setor Pedagógico da Diretoria Regional Sr.ª Elisângela e Sr.ª Samanta, da Infraestrutura.

Lamentamos a forma com que essas pessoas chegaram ao colégio. Não houve nenhum respeito a manifestação em curso realizada pelos alunos. Como afirma em nota a Ocupação do C. E. Central do Brasil: chegaram “sem marcar horário, sem uma proposta e, principalmente, sem Educação. A postura do Sr. Caio Castro então…. Lamentável, para não dizer coisa pior! ”

E a nota ainda questiona: “O que dizer de um Estado, que o Secretário de Educação e seu chefe de gabinete NÃO TÊM EDUCAÇÃO?” E seguem: “Da próxima vez, marquem um horário e se identifiquem, tá?”

Terminam a nota agradecendo os apoios. Interpretam este apoio não só demonstra solidariedade, mas também o reconhecimento de que a sua luta é importante e justa. Acrescentam: “Não aceitaremos intimidações e migalhas! Agora, estamos mais UNIDOS e mais FORTES do que NUNCA!” “E quem sabe não faremos uma visita ao senhor SECRETÁRIO? Não disseram que seremos bem recebidos? Até breve.”

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Como a SEEDUC não vem conseguindo desocupar as escolas com suas visitas às ocupações e argumentos que não convencem ninguém, resolveu agir de modo bem peculiar a sua prática de resolver as coisas: invadiu de forma sorrateira uma ocupação para tentar intimidar e coagir. Os alunos da escola continuam firmes em suas convicções e não irão desocupar a escola enquanto não forem atendidos em sua pauta de reivindicações.
A direção da Regional III do Sepe-RJ exige informações da administração estadual se é possível e legal decretar recesso escolar apenas em algumas unidades durante uma greve da categoria. Esta medida reforça a intransigência do Governo Estadual em sua posição de não negociar. Sinaliza para a categoria que acredita nas reuniões com membros deste governo que há uma real negociação em curso. Desmente o discurso de Dornelles ou de Neto que há negociações e avanços no atendimento das pautas de reivindicações.
Chamamos a atenção ainda ao conjunto de trabalhadores da educação e das demais categorias para a necessidade de doações de alimentos e outros bens para as ocupações. Somente com a solidariedade do conjunto de nossa classe conseguiremos resistir aos ataques do governo Cabral/Pezão/Dornelles e avançarmos em nossas conquistas por uma educação emancipadora de fato.