Servidores estaduais ativos e aposentados ocuparam, na tarde desta quinta-feira (14/04), o prédio da Secretaria de Fazenda, no Centro da Capital do Rio de Janeiro. Os manifestantes reivindicavam uma audiência com o secretário Júlio Bueno para entregar um documento contra o atraso no pagamento dos salários dos aposentados e pensionistas.

14abr2016ocupafazendaNa imprensa, Júlio Bueno informou que os aposentados e pensionistas que têm salários acima de dois mil reais receberão seus vencimentos até o dia 12 de maio. O último salário recebido por estes 137 mil servidores foi em 12 de março. Os atrasos no pagamento dos salários de ativos, aposentados e pensionistas já ocorrem desde de novembro do ano passado.

De acordo com o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ), foram recebidos pelo chefe de Gabinete da pasta, Júlio Mirilli, mas a reunião terminou sem acordo após uma porta de vidro se quebrar. Ainda segundo os manifestantes há suspeitas que a porta teria sido quebrada por agentes da segurança privada da administração estadual.

Alguns policiais militares formaram uma comissão de vistoria para apurar como ocorreu o incidente e os manifestantes também participaram do grupo, explicando que ali estavam trabalhadores do serviço público estadual e não vândalos como tentam sempre caracterizar em circunstâncias similares.

Segundo o Professor Renan Moraes, Coordenador Geral da Regional III do Sepe (que compreende os bairros de Tomás Coelho, Sampaio, Cachambi, Méier, Jacarezinho, Piedade, Engenho de Dentro, Maria da Graça, Engenho Novo, Água Santa, Inhaúma, Del Castilho, Encantado, Lins de Vasconcelos, Higienópolis, Jacaré, Riachuelo, Engenho da Rainha, Todos os Santos e Rocha.), afirmou que o movimento exige o imediato pagamento dos inativos e pensionistas. Moraes informou que os manifestantes pedem uma reunião para reivindicar a pauta da greve do funcionalismo, com os seguintes pontos: retorno do calendário de pagamento dos servidores até no máximo do quinto dia útil, retirada da reforma da Previdência do Estado (que pretende aumentar a contribuição dos servidores de 11 para 14%) e negociação sobre reposição da inflação e reajuste salarial.

Por volta das 17h, com a portaria e o 19º andar — onde fica a sala de Júlio Bueno — ocupados, o clima ficou tenso. Uma equipe de reportagem da TV Globo foi expulsa pelos manifestantes. A bronca dos servidores com esta multinacional da mídia é sua parcialidade e falta de compromisso com os fatos. A emissora foi acusada pelos manifestantes de defesa do governo para satisfazer seus interesses comerciais e manipulação das informações. Às 18h, funcionários da Secretaria de Fazenda deixaram o local. O Sepe enviou, às 18h15, água e lanche para os ativistas.

O não pagamento do salário dos aposentados e pensionistas é de uma covardia revoltante. É a velha máxima que diz que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco. O que o governo não contava era que o “lado mais forte” se solidarizasse com aqueles que não têm a mesma força de pressão, mas que merecem todo o nosso respeito. Na ocupação da Secretaria de Fazenda havia servidores ativos da SEEDUC, UERJ, FAETEC e da Saúde, além de um grupo de bravos servidores aposentados.

Infelizmente, o governo não aceitou o diálogo e optou pela saída mais fácil. Ao invés do respeito aos servidores prejudicados por sua nefasta gestão o Sr. Francisco Dornelles respondeu com a repressão e a força da violência policial. Durante a madrugada de hoje (15/4), depois que a imprensa deixou o prédio, o Batalhão de Choque da PM invadiu o local expulsando os servidores do prédio da Secretaria de Fazenda. A medida foi uma frustrada inciativa de acabar com a resistência e coibir o legítimo direito de manifestação em um prédio público. Seria razoável que o governo recebesse em audiência no local, na manhã de sexta-feira, os servidores estaduais para dar encaminhamentos às suas justas reivindicações. Aliás, poderia ter tomado a medida de atender em reunião os servidores ainda durante o expediente daquela quinta-feira.

Os companheiros aposentados têm voz e as autoridades precisam ouvi-los. A luta apenas começou! Amanhã será maior.

Com informações do Jornal O Dia

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