15jul2014notaA repressão nas manifestações vem crescendo desde as mobilizações espontâneas de junho de 2013. Agora atacam de maneira mais sistemática as ações dos movimentos organizados.
Um exemplo de que o país vive esta tensão mesmo antes da Copa é que se consolidou, como legado deste megaevento, os inquéritos e as prisões preventivas contra jovens militantes, como o caso das dezenas de mandados de prisão que ocorrem contra ativistas no Rio de Janeiro desde 12 de julho.
O ataque às liberdades democráticas neste país não cessaram com o fim do regime de exceção, imposto por empresários e militares após o golpe de 1964. O risco que corremos hoje é de que todo o processo de criminalização continue a ser encarado como normalidade pela dita sociedade civil.
Além de enxergar o direito de manifestação como caso de polícia, os governos do PT, do PMDB, do PSDB, do PSB e as empresas também têm tratado as greves na Justiça. Desse modo, os trabalhadores sofrem cada vez mais acusações de ilegalidade e retaliações quando se mobilizam em ações asseguradas pela Constituição.
Há uma tentativa constante de se decidir problemas entre patrões e empregados utilizando como primeira medida, a intervenção judicial para penalizar ações e mobilizações reivindicatórias.
Só neste início de semestre podemos apontar mais duzentas demissões de grevistas no IBGE e 42 grevistas demitidos por justa causa no Metrô de São Paulo.
No Recife, trabalhadores em educação do sistema municipal público também foram cobrados pelo governo a pagar uma multa diária de 300 mil reais. Os professores do Rio de Janeiro sofreram cortes nos salários e ameaças de inquéritos administrativos, os rodoviários de São Paulo foram demitidos por justa causa.
Nos diversos Estados o recrudescimento da criminalização dos movimentos sociais e das ações dos trabalhadores é claro. Cabe ao setor organizado das lutas se preparar e denunciar as ilegalidades e as violações de direitos fundamentais de manifestação, contestação e luta dos trabalhadores.
Se a repressão e a criminalização dos movimentos sociais ganharam uma escalada após junho de 2013, com a Copa de 2014 elas se aprofundaram ainda mais, com o país sendo transformado numa área privada da FIFA, e as cidades-sedes militarizadas vivendo um verdadeiro estado de sítio através da Lei Geral da Copa. A isso se agrega o processo de higienização social levada a cabo nas cidades turísticas, como no Rio, onde o próprio Ministério Público estadual denunciou o recolhimento compulsório de centenas de moradores de ruas.
Por tudo isso a Assembleia Unificada dos trabalhadores das escolas públicas da Cidade do Rio de Janeiro, convocada pela da Regional III do SEPE-RJ, vem a público exigir o fim da criminalização dos ativistas perseguidos politicamente pelo Governo do Sr. Eduardo Paes, do Sr. Luiz Fernando Pezão, do Sr. Geraldo Alkmin e da presidente Dilma Rousseff. Exigimos a imediata libertação de todos os presos políticos e o fim da militarização das cidades. Exigimos ainda o respeito às liberdades individuais e coletivas, bem como às liberdades de opinião e expressão de todos os trabalhadores e do povo brasileiro. Entendemos que a brutalidade que se abate sobre os jovens que estão sendo presos, que são demitidos ou mesmo mortos neste momento é um ataque contra todos que lutam por seus direitos neste país. Reafirmamos enquanto instância deliberativa do SEPE-RJ que lutar não é crime, lutar é um direito!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s