02abr2015genocicioA ocupação do Complexo do Alemão pelas tropas de elite da Polícia Militar e os tiroteios sucessivos vêm assombrando a comunidade nos últimos quatro anos. A vítima mais recente foi o menino de 10 anos, Eduardo Jesus Ferreira.

Eduardo é a quarta vítima fatal da guerrilha urbana promovida pelo aparato de segurança do estado na região, em dois dias. Na última quarta-feira, em mais uma das “operações policiais” na comunidade a vítima foi a dona de casa Elizabeth Alves de Moura Francisco, de 41 anos. Elizabeth estava dentro de sua casa durante o tiroteio e foi atingida por uma “bala perdida”. Não resistiu aos ferimentos, embora os moradores tenham feito tudo para que fosse atendida em um hospital mais próximo. Sua filha, de 16 anos, também foi atingida ao socorrer a mãe, mas já recebeu alta do Hospital Estadual Getúlio Vargas.

Segundo as estatísticas elaboradas pelo Jornal Voz das Comunidades, que acompanha os ataques da PM naquela comunidade, 12 moradores morreram e outros 13 ficaram feridos somente em 2015, enquanto que um policial morreu e outros 10 ficaram feridos na suposta guerra ao tráfico de drogas ilícitas.

Os números de vítimas inocentes mostram que não se trata de acabar ou coibir o comércio ilegal de drogas. Para coibir ou mesmo acabar com o tráfico de drogas basta descriminalizar e vender sob prescrição e acompanhamento profissional. Nas comunidades carentes que são palco desta suposta guerra não há plantações de maconha, de cocaína ou laboratórios para o preparo das drogas vendidas. Também não há fábricas de armamentos bélicos utilizados pelos traficantes contra a população e, eventualmente, contra a polícia. Todas as mercadorias comercializadas, assim como o armamento utilizado pelo tráfico são produzidas e levadas até lá.

O número de vítimas inocentes deixa claro que o combate ao comércio ilegal de drogas não passa de fachada para um genocídio contra a população pobre da cidade. Este “combate” não ocorre em todas as áreas do Rio.

Quando a PM promove suas operações estas são contra todos os moradores. Sabendo que os traficantes são uma minoria. Dos quase 70 mil moradores do Complexo do Alemão a maioria são trabalhadores. Não são traficantes.

PM assassina reprime um ato pacífico no Alemão

Moradores do Complexo do Alemão realizaram vários protestos. Porém, na tarde desta sexta-feira (03/04), uma de suas manifestações contra a onda de violência foi barbaramente atacada por policiais militares. O ato, pacífico, foi realizado por pessoas munidas de panos brancos e cartazes que pediam paz e justiça, mas foi reprimido pela Polícia Militar com bombas de efeito moral e sprays de pimenta.

Uma das imagens divulgadas pela Globo News mostra um dos policiais que, de repente, começa a atirar spray de pimenta contra o grupo de manifestantes, muitos deles crianças, que fechavam a rua de forma pacífica. Segundo o G1, vários moradores tiveram que cobrir os rostos com panos para se proteger dos efeitos das bombas de gás lacrimogêneo, enquanto outros, revoltados pela ação policial, atiraram garrafas e pedras para se defender.

Pezão reafirma uma política que tem produzido um dos maiores genocídios do Rio

Apesar da Nota Oficial do Governo de Luiz Fernando Pezão se solidarizar com a dor dos familiares do menino Eduardo, reafirma a ocupação militar contra a população do Complexo do Alemão. Pezão tenta induzir que a morte de Eduardo é fruto de uma disputa armada entre moradores por pontos de venda de drogas. No entanto há mais de quatro anos o Complexo está ocupado militarmente pelas forças de segurança do estado.

A política de Pezão é claramente de criminalização da pobreza. Ele vai utilizar a dor da família de um menino de 10 anos, morto pela ação da polícia para construir, sem licitação, instalações efetivas para as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Mais uma vez quem ganhará muito dinheiro público com mais este crime contra a população carioca serão os empreiteiros amigos do governador.

Professores, funcionários e alunos prestam homenagem a menino morto no Complexo do Alemão

2abr2015alemao2A comunidade escolar do CIEP Maestro Francisco Mignone, em Olaria, prestou homenagem, nesta segunda-feira (06), a Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos. O menino, que estudava na escola, foi morto com um tiro na cabeça na última quinta-feira, Os colegas escreveram bilhetes e cartazes com mensagens para Dudu, como era chamado. Todos os professores da unidade vestiram roupas pretas como sinal de luto.

Nós, trabalhadores da educação no Rio de Janeiro queremos nos somar a esta homenagem e expressar nossa solidariedade com os familiares de mais esta vítima do genocídio que somos vítimas. Exigimos a responsabilização criminal da política de segurança nefasta do Governador Luiz Fernando Pezão. Esta ataca e mata trabalhadores e moradores inocentes. Exigimos o fim da criminalização da pobreza. Exigimos o fim da Polícia Militar. Uma corporação criada pela ditadura militar contra os trabalhadores e a população. Exigimos da justiça a exemplar punição do ou dos policiais autores do infanticídio ocorrido no início de abril, no Complexo do Alemão.

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