Boa noite profissionais da educação da cidade e do estado do Rio de Janeiro.

Por: Gustavo Kelly*

desocupaCMRJAntes de mais nada gostaria de agradecer aos milhares de manifestantes que nos apoiaram ontem do lado de fora da Câmara(CMRJ), depois aos parlamentares que estavam dentro da CMRJ (Reimont, Eliomar, Renato Cinco, Edson Santos, Jeferson Moura e Robson Leite), as diretoras do SEPE ( Susana Gutierrez, Martha e Gesa Linhares) em especial a Vera Nepomuceno (PSTU) que enfrentou 3 coronéis da PM para que eu não fosse preso, a solidariedade de classe seja material, em que milhares fizeram uma vigília do lado de fora da 5ª DP, bem como a outr@s milhares que ficaram nas redes sociais que ficaram a divulgar o ato ilegal de ontem, por fim a Marcia Neves que não arredou o pé do lado de fora da CMRJ quanto da delegacia, até o momento de minha soltura.

Gostaria de deixar claro não sou um herói, mas apenas mais um companheiro na luta contra o PCCR do prefeito Eduardo Paes e de Cláudia Costin. Infelizmente, o prefeito não nos deu nenhuma alternativa, haja vista que após um mês de greve, o mesmo apresenta um plano que na verdade representa um ataque de cunho privatista. As profissionais da educação do Rio de Janeiro (do estado e do município) entraram em greve, principalmente devido as PÉSSIMAS CONDIÇÕES DE TRABALHO. Ao suspendermos a greve acreditamos na palavra do Prefeito, do Secretário da Casa Civil Pedro Paulo, bem como da Secretária da Educação Cláudia Costin que haveria avanços, no entanto fomos ENGANADOS e o que eles apresentaram foi um plano de privatização que degrada mais ainda as condições salariais e de trabalho das profissionais da educação e que estão em perfeita consonância dos ditames do Banco Mundial.

Até a suspensão da greve os atos de nós profissionais da educação eram extremamentes pacientes e até mesmo lúdicos, mas a paciência tem limite e como na sexta-feira (20/09) um grupo de mais de 60 educadores ocuparam a prefeitura no intuito de exigir uma audiência com o governo e lá também houve uma recepção truculenta por parte da Guarda Municipal.

No dia 28/09, um dia após ao de São Cosme e Damião (simbólico, não!?), os profissionais da educação foram empurrados para dentro da CMRJ por Eduardo Paes, isto porque queríamos a retirada do PCCR da pauta de votação na Câmara, após mais de 2 dias de ocupação pacífica veio o ato de ILEGALIDADE, INCIVILIDADE e ANTIDEMOCRACIA. A Polícia Militar tinha uma orientação direta do governador Sérgio Cabral e do vereador Jorge Filipe (PMDB) de invadirem a CMRJ.

Bem o que ocorreu perante a minha ótica:

Tentamos dialogar e demover os policiais deste ato criminoso, haja vista que para se fazer uma desocupação legal é necessário um mandado de reintegração de posse. Posto isto, os policiais invadiram por uma das portas de forma truculenta, fato este que causou um TEMOR e NERVOSISMO, pois a maioria em senhoras de idade. Após este evento, os homens, incluo-me nesta citação, que estavam do outro lado do plenário fizeram um cordão de proteção para que as companheiras não fossem agredidas, já que estavam com muito medo. Os policiais homens começaram a arrancar através de puxões e chaves de braço as mulheres, infelizmente sofri 4 descargas de choque elétrico, mesmo não tendo resistido e já tendo sido imobilizado com uma chave de braço. Após isto, o policial sem qualquer identificação deu-me voz de prisão e ao falar estava rindo.

Outro policial aplicou-me uma chave de braço, pedi reiteradamente para que ele me algemasse, disse ao policial que aquele braço era meu instrumento de trabalho e não poderia te-lo quebrado, pois não impediria o meu exercício.

Ao descermos para o andar térreo a diretora Vera Nepomuceno agarrou-me e enfrentou todos os oficiais da PM para que eu não fosse preso. Enquanto isto víamos do lado de dentro da CMRJ as cenas de guerra e brutalidade as quais várias profissionais da educação foram submetidas após as ordens de Jorge Felipe e Sérgio Cabral, com a leniência do prefeito. A professora Vera só saiu porque os parlamentares e os advogados a retiraram e com a informação para qual delegacia seríamos levados.

Ao fim, temporário, das cenas de guerra fui conduzido ao camburão e pasmem quase me colocaram na mala, como se fosse um bandido.

Chegamos a 5ª DP e aí tive a melhor das sensações lá estavam 5 advogados (Aline Caldera, Daniele, Bucão, Patrícia e presidente da comissão de Direitos Humanos da OAB) e com eles estavam milhares de ativistas que fizeram uma vigília que deixou os policiais nervosos. Fui acusado de resistência a prisão e desobediência.

Por fim, temos duas tarefas enquanto cidadão e profissional da educação: a primeira é exigir que os companheir@s do PT e do PC do B larguem os dois governos (municipal e estadual) e a segunda é engrossar a greve e a assembleia de terça-feira (1/10) para derrotarmos o PCCR de Paes/Costin!

“SEJAMOS REALISTAS EXIJAMOS O IMPOSSÍVEL!”

Maio de 68.

(*) Gustavo Kelly é professor da rede municipal do Rio e ativista da Regional I do Sepe-RJ

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