Só existe assédio moral quando estamos divididos

assedio_moralNesta segunda feira, 18 de fevereiro, ao final do primeiro turno da E. M. Dom João VI a professora de língua portuguesa, Helena Brandão, foi convidada para uma reunião na sala da direção daquela unidade escolar. Além da professora e da diretora estavam presentes também a adjunta e a coordenadora pedagógica. O objetivo da reunião era informar a professora que a mesma estava sendo convidada a se retirar da escola. O motivo desta descabida medida é que a professora tornou-se demasiadamente questionadora. Ou seja, a equipe de direção da escola pretendia afastar a professora para “preservar o pensamento único” no interior daquela unidade escolar. O crime cometido por Helena, que colocava em risco seu direito de lotação, foi ter opinião própria sobre as péssimas condições de trabalho e ensino na rede municipal de educação. Ao mesmo tempo em que a prefeitura aprofunda os ataques contra os alunos, responsáveis, professores e funcionários a equipe de direção da Dom João tentava punir uma professora por lutar contra estes ataques de Eduardo Paes e sua secretária Claudia Costin.

A reação

O que a equipe de direção daquela escola não esperava é que Helena reagisse ao ato de injustiça, abuso de poder, assédio moral e arbitrariedade. Helena, com três anos de experiência na rede municipal de ensino e professora em escola estadual, não aceitou e foi à luta. Procurou a 3ª CRE onde não teve sucesso em sua denuncia e busca por justiça. Foi então para o sindicato.
Neste momento sua situação começou a melhorar e se abriu uma esperança de que a justiça seria feita. Não deu outra. Ao voltar a 3ª CRE acompanhada por representante da direção do sindicato Helena conseguiu sucesso. Por mais que a burocracia da CRE tentasse enrolar a situação, a legislação estava a favor da professora e da manutenção de seu direito a lotação na Escola Dom João. A burocracia não teve outra saída a não ser ligar para a diretora e comunicar o cancelamento da indevida e injusta remoção de Helena. Desde o momento em que chegou aquela unidade administrativa até ser reconduzida a sua unidade passaram-se noventa minutos.
Se nada disso ocorresse os alunos de Helena teriam aulas normais na terça e quarta feira. No meio deste fato de arbitrariedade, abuso de poder e assédio moral cometido pela equipe de direção da Escola Dom João VI, os mais prejudicados foram os alunos e a comunidade escolar.

Garantir que os fatos não se repitam

Na manhã de segunda feira, 25 de fevereiro, a direção do Sepe-Regional III estará presente para garantir o direito da professora de lecionar e dos alunos de estudar. Queremos impedir que qualquer ato de abuso de autoridade e assédio moral venha se repetir no interior daquela escola. Queremos conversar com os demais trabalhadores e convencê-los que para defender nossa carreira, nossa valorização, nosso salário, nosso direito de lotação e uma necessária ascensão social coletiva devemos nos unir. Não podemos ignorar que um injusto ataque sofrido por qualquer colega trata-se de um ataque a todos os trabalhadores. Só a unidade de professores, funcionários, responsáveis e alunos pode defender a escola pública contra a sana privatizante da prefeitura. Somos os únicos interessados em uma educação pública, gratuita e de qualidade que atenda aos interesses do povo carioca. Nossa unidade pode reconquistar a autonomia pedagógica e escolar a partir de um currículo que facilite a construção do conhecimento; a gestão democrática e formação de conselhos escolares a partir da comunidade escolar, autônomos dos governos e; um plano de carreira de valorização profissional que seja respeitado pelo atual e futuros prefeitos, impondo o fim da terceirização e contratação temporária.

Veja o panfleto que será distribuído nesta segunda, 25 de fevereiro, no primeiro turno da E. M. Dom João VI

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  1. Núbia Santos disse:

    Gostei do artigo,passei por algo menor porem parecido. Minha nota na avaliacao de desempenho do professor foi diminuida no quesito ética porque nas reunioes eu questiono demais as imposicoes da direcao. Ja ando desestimulada na profissa devido a muitos fatos como esse,que parecem pequenos mas que nos enfraquecem.

  2. emilly disse:

    dahora esse texto muito chave

  3. Cláudia disse:

    Eu quero é que mecham comigo . Estava de licença médica e a diretora ficou com ironias comigo. Agora, mesmo em férias, me ligou para saber se eu vou transferir .
    Se eu fosse transferir , teria ido pegar p ofício para minha remoção .
    Se fizer algo contra a meu respeito . Entro na justiça e peço ondenização por danos morais.
    Diretores de escola pública acham que são donos das escolas. Desconfiem!

  4. Jorge Blues disse:

    Assédio moral no funcionalismo é algo que pode ser combatido de forma coletiva.
    Este exemplo demonstra que a combatividade, com argumentos lógicos, preservam a dignidade do profissional e confrontam o arbítrio inerente àqueles que querem reduzir o ser humano à mera coisa.

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